Da cama para a cadeira de rodas: passo a passo para o cuidador…

Cuidador de pé segura o cinto na cintura de uma pessoa sentada na beira da cama, com a cadeira de rodas encostada ao lado e os apoios de pés afastados

Para transferir o paciente da cama para a cadeira de rodas sem machucar ninguém, a regra é preparar o ambiente antes de tocar na pessoa: cadeira encostada na lateral da cama, freios travados, apoio de pés fora do caminho e calçado antiderrapante. Quem consegue ficar de pé com ajuda sai da beira da cama, gira sobre os próprios pés e senta devagar, segurado pelo cinto na cintura. Quem não sustenta o peso do corpo não deve ser transferido por uma pessoa só: o caso pede duas pessoas ou um elevador, com orientação de um profissional.

O passo a passo abaixo junta o que dizem protocolos de uma universidade federal e de um hospital universitário. Na terça-feira, 13 de outubro, é o Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional (Lei 13.084/2015), boa data para pedir a esses profissionais que demonstrem a técnica no seu quarto, com a sua cadeira.

Cadeira de rodas dobrável de aço com braços e apoio de pés
Braços escamoteáveis e apoio de pés removível, como na ficha do modelo D400 da Dellamed, deixam o caminho livre ao lado da cama

Antes de começar: o que preparar

Confira esta lista antes do primeiro movimento:

  • Cadeira na lateral da cama, o mais próximo possível. UFJF e HC-UFTM pedem a cadeira ao lado da cama, e um roteiro de enfermagem americano diz que ela deve encostar na cama. As fontes consultadas não fixam um ângulo em graus; se o fisioterapeuta indicar um, siga o dele.
  • Lado mais forte. Quando um lado do corpo é mais fraco, a orientação de guias de saúde é transferir sempre em direção ao lado mais forte.
  • Freios travados. Os protocolos mandam travar as rodas da cadeira (a UFJF, também as da cama). Se o freio é bilateral, confira os dois lados.
  • Apoio de pés fora do caminho. UFJF e HC-UFTM orientam levantar o apoio de pés; em modelos com apoio removível ou giratório, ele pode ser afastado de vez.
  • Braço do lado da cama retirado ou rebatido. Nenhum dos protocolos exige isso, mas é uma questão de espaço: sem o braço no caminho, o quadril passa direto para o assento. Só é possível em cadeira com braço removível ou escamoteável.
  • Calçado antiderrapante e bem preso ao pé. O HC-UFTM pede sapato ou chinelo antiderrapante.
  • Piso seco e livre, sem tapete solto ou objeto no caminho, como pedem os protocolos.
  • Espaço para circular. Medidas de porta e de giro estão em como deixar a casa acessível para quem usa cadeira de rodas.

Explique ao paciente o que vai acontecer e peça que ajude no que puder: a UFJF recomenda incentivar a cooperação, o que reduz a sobrecarga de quem cuida. Se ele estava deitado, sentá-lo na beira da cama e esperar um instante ajuda a notar tontura; a UFJF manda observar sinais de queda de pressão ao levantar.

Como transferir o paciente da cama para a cadeira de rodas: passo a…

Este roteiro vale para quem fica de pé com ajuda, mesmo que só por alguns segundos.

  1. Sente a pessoa na beira da cama com os pés apoiados no chão, afastados na largura do quadril. Espere um instante e pergunte se há tontura.
  2. Coloque o cinto de transferência na cintura, firme, sobre a roupa. O protocolo da UFJF sugere justamente um cinto largo em volta da cintura para segurar com mais firmeza.
  3. Posicione-se de frente, com os pés afastados e os joelhos dobrados, coluna alinhada. Coloque um pé à frente do pé do paciente para que ele não deslize, como descreve o HC-UFTM, e segure o cinto com as duas mãos.
  4. Peça que incline o tronco para a frente e, na contagem de três, se levante apoiando as mãos na cama. Quem conduz acompanha o movimento, sem puxar.
  5. Gire sobre os pés, em passos curtos, até o paciente sentir a cadeira atrás das pernas. Ele pode apoiar as mãos nos braços da cadeira.
  6. Desça devagar, com os seus joelhos dobrados e o tronco do paciente inclinado para a frente, até sentar com conforto no fundo do assento.
  7. Acomode e confira: pés no apoio, alinhamento do corpo, conforto. Retire o cinto com cuidado e só então destrave os freios para se mover.

Segure pelo cinto, pela cintura ou pelo tronco, nunca pelo braço ou pela axila. Os protocolos descrevem a pega na cintura ou no tronco, e o MedlinePlus, biblioteca de saúde dos Estados Unidos, alerta para nunca erguer alguém pela axila ao movê-lo na cama.

O tipo de pega muda o esforço de quem cuida

Um estudo de laboratório publicado na revista Workplace Health & Safety em 2018 (PMID 29426267) comparou duas formas de segurar na transferência da cama para a cadeira: o cinto de marcha tradicional (gait belt) e o cinto de caminhada (walking belt). Estudantes fizeram o papel de cuidadores e de pacientes, e os pesquisadores mediram a carga na coluna e a força exigida das articulações de quem cuidava. O cinto de caminhada, com técnica de puxar, resultou em menos estresse biomecânico, e os “pacientes” se sentiram mais confortáveis e seguros.

Leia com limite: foi um estudo piloto de laboratório, com estudantes, não com pacientes reais em casa, e não prova qual cinto serve ao seu familiar. Mostra apenas que a pega faz diferença no esforço de quem cuida; pergunte ao fisioterapeuta qual serve ao seu caso.

Na loja, o Cinto de Transferência com Perneira Premium, da Longevitech, tem 4 alças e 2 alças para as pernas, que evitam que o cinto suba durante o movimento, segundo a ficha. O Cinto de Transferência Special Care, da Hidrolight, traz pegadores em TPE, serve para cintura de 80 a 120 cm e suporta até 120 kg, conforme a ficha, e tem registro na ANVISA. Outros produtos para essa rotina estão em suportes para levantar e mobilidade.

Cinto e lençol de transferência para o cuidador

Quando o paciente não sustenta o peso

Se a pessoa não fica de pé, não colabora ou não segura o próprio tronco, a transferência com um cuidador só e um cinto não é o caminho. Os protocolos concordam:

  • O HC-UFTM diz que o ideal é fazer a transferência com a ajuda de outro profissional e que, na primeira vez que se coloca um paciente de pé, se peça ajuda.
  • A UFJF orienta procurar ajuda de outras pessoas e usar equipamentos de transferência (transfer, tábua deslizante, elevador) quando houver.
  • O protocolo do HC-UFTM para o elevador de transferência o indica para pacientes restritos ao leito, sem condição de sentar, ficar de pé ou transferir-se por conta própria, e exige equipe treinada.

Em casa, isso quer dizer: duas pessoas ou elevador, com orientação de fisioterapeuta ou enfermeiro, e nada de improviso. Arrastar, abraçar e carregar sozinho é arriscado para o paciente e para quem cuida.

Há um uso em que o lençol com alças ajuda: reposicionar a pessoa na própria cama. A UFJF descreve que, quando o paciente não ajuda a subir na cama, são necessárias pelo menos duas pessoas e que se pode usar o lençol móvel, levantando em vez de arrastar para reduzir o atrito na pele. O Lençol de Transferência e Movimentação Perfetto tem 8 alças laterais e suporta até 100 kg, conforme a ficha. Para quem passa muitas horas deitado, reposicionar também faz parte da prevenção de feridas, tema do checklist do cuidador sobre lesão por pressão.

Proteja a sua coluna

O HC-UFTM classifica a movimentação de pacientes entre as tarefas mais penosas para quem cuida. As recomendações dos dois protocolos coincidem:

  • pés afastados e firmes no chão, base ampla;
  • joelhos dobrados em vez de curvar a coluna, costas eretas;
  • paciente o mais perto possível do seu corpo, usando o peso do corpo como contrapeso;
  • evitar torcer o tronco e inclinar para o lado: gire os pés, não a coluna;
  • movimentos combinados e sincronizados, com contagem, e sapatos bem amarrados.

Dor nas costas depois de cada transferência é sinal para mudar o método: mais uma pessoa, um equipamento ou nova orientação profissional.

Pós-AVC, prótese de quadril e fratura recente têm regras próprias

Quem teve AVC pode ter um lado do corpo mais fraco ou sem sensibilidade, e o lado afetado exige cuidado extra. Depois de cirurgia no quadril ou de fratura, o médico ou o fisioterapeuta costuma definir quanto peso pode ser apoiado e quais movimentos devem ser evitados. Essas orientações variam de pessoa para pessoa: peça que o profissional do caso demonstre a transferência.

Cadeiras de rodas na Casa do Médico

Dúvidas sobre transferir o paciente da cama para a cadeira

Qual é o jeito certo de transferir o paciente da cama para a cadeira de rodas?

Cadeira ao lado da cama com freios travados, paciente sentado na beira com calçado antiderrapante, pega pelo cinto na cintura, contagem combinada, giro sobre os pés e descida devagar. Se ele não sustenta o peso, são duas pessoas ou elevador.

De que lado colocar a cadeira?

Do lado mais forte do paciente, quando um lado é mais fraco, e encostada na lateral da cama. O ângulo exato, se houver, deve ser definido pelo fisioterapeuta para o seu quarto.

Para que serve o cinto de transferência?

Dá ao cuidador uma pega firme na cintura, sem puxar braço ou axila. Ajuda na pega, mas não substitui a avaliação de quem pode ou não ser transferido assim.

Por que a cadeira com braço removível facilita?

Porque tira um obstáculo do lado da cama. Na ficha da Cadeira de Rodas Dobrável D400 da Dellamed, os braços são escamoteáveis, o apoio de pés é removível e rebatível, os freios são bilaterais e a capacidade é de até 120 kg. Os demais modelos estão em cadeiras de rodas.

Quando nada disso ajuda?

Quando a pessoa não colabora, não sustenta o peso, sente dor forte ao ser movida, está muito sonolenta ou tonta, ou caiu recentemente. Não insista: chame ajuda, use elevador se houver e peça orientação profissional.

Como proteger a coluna de quem cuida?

Base ampla, joelhos dobrados, costas eretas, paciente perto do corpo, giro pelos pés e, sempre que possível, uma segunda pessoa.

Onde comprar cadeira de rodas no Rio de Janeiro

Quem prefere ver o mecanismo de perto antes de escolher pode ir à loja da Casa do Médico na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e conferir como funciona o braço escamoteável. A disponibilidade de cada modelo varia; vale confirmar antes da visita.

Autoria

Conteúdo produzido pela equipe editorial da Casa do Médico a partir de protocolos institucionais e de um estudo científico: POP FACENF/UFJF, Transporte e técnicas de transferência (2019); POP HC-UFTM, movimentação e transporte de pacientes acamados e cadeirantes; POP HC-UFTM, uso do elevador de transferência; Tang et al., Workplace Health Saf, 2018; MedlinePlus. Este conteúdo é informativo, não prescreve técnica para um caso individual e não substitui a avaliação de um fisioterapeuta, terapeuta ocupacional ou enfermeiro. Para cada paciente, a técnica e o número de pessoas devem ser definidos por esse profissional.

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