Fratura do quinto metatarso: quanto tempo leva, quando precisa…

Pessoa sentada no sofá com bota ortopédica cinza em um dos pés e bengala ao lado

Quem recebe o diagnóstico de fratura do 5º metatarso, o osso do lado de fora do pé que termina no dedo mínimo, quer saber duas coisas: quanto tempo leva para voltar a andar normalmente e se vai precisar de gesso, bota ou cirurgia. A resposta depende de onde o osso quebrou. A fratura por avulsão, na ponta da base do osso, costuma consolidar bem com sapato de solado rígido ou bota; a fratura de Jones, um pouco mais adiante, tem mais risco de demorar ou de não consolidar. Só o raio-X e o ortopedista dizem qual é o seu tipo. Os números abaixo vêm de estudos publicados e servem como referência. O prazo do seu caso, quem define é o ortopedista.

Fratura do 5º metatarso: os três tipos, zona 1, 2 e 3

A base do quinto metatarso, perto do tornozelo, tem irrigação de sangue limitada, e por isso a velocidade de consolidação varia entre as fraturas (revisão no American Family Physician, 2024). Para organizar a diferença, os ortopedistas usam a classificação de Lawrence e Botte, que divide a base do osso em três zonas conforme o potencial de cicatrização (revisão no JBJS Reviews).

  • Zona 1, fratura por avulsão do 5º metatarso: um pequeno fragmento da ponta da base é arrancado. Em geral consolida bem, e a conduta sem cirurgia é a mais comum.
  • Zona 2, fratura de Jones: ocorre na junção entre a base e o corpo do osso e chega à articulação com o quarto metatarso. Tem risco maior de não consolidar e de manter dor, mesmo com bom manejo, segundo revisão do Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons.
  • Zona 3, fratura de estresse: aparece no corpo do osso, logo depois dessa articulação, em geral por sobrecarga repetida. A revisão do JBJS Reviews descreve a cirurgia como uma das opções avaliadas, sobretudo quando há sinais de atraso na consolidação.

Fratura do quinto metatarso: tempo de recuperação segundo os estudos

O dado mais sólido para a avulsão da base vem de um ensaio clínico multicêntrico publicado no Journal of Bone and Joint Surgery em 2021. Foram 96 pacientes sorteados para usar um sapato de solado rígido, com apoio conforme a tolerância, ou um gesso curto na perna. Seis meses depois, a dor era semelhante nos dois grupos (média de 8,6 mm contra 9,8 mm numa escala de 0 a 100 mm), a satisfação também (89,5% contra 87,5%) e nenhum paciente teve falha de consolidação. O retorno à atividade que a pessoa tinha antes da lesão levou em média 37,2 dias no grupo do sapato rígido e 43,0 dias no grupo do gesso.

Esses números são médias de um grupo de estudo, não prazos, e valem só para a avulsão da base. Para as demais fraturas dos metatarsos, a revisão do American Family Physician cita bota ou sapato rígido por 3 a 6 semanas nas fraturas da haste dos metatarsos em geral; ela não detalha o 5º metatarso proximal, então esse prazo não vale para as zonas 2 e 3. Para a fratura de Jones e a de estresse, nenhuma fonte que consultamos traz um prazo único que sirva para todos: o tempo depende da evolução do osso nos exames.

Tipo Conduta mais comum descrita nas fontes Tempo de referência na fonte
Avulsão da base (zona 1) Sapato de solado rígido ou bota, com apoio conforme a tolerância; gesso curto é a alternativa comparada no ensaio Retorno à atividade prévia em média 37,2 dias com sapato rígido e 43,0 dias com gesso
Fratura de Jones (zona 2) Imobilização ou fixação cirúrgica, conforme deslocamento, nível de atividade e evolução Sem prazo único; consolidação mais lenta e variável
Fratura de estresse (zona 3) As revisões descrevem a fixação cirúrgica como a conduta preferida, sobretudo com sinais de atraso; sem cirurgia, descrevem mais falhas Sem prazo único; acompanhada por imagem
Haste dos metatarsos, em geral Bota ou sapato rígido 3 a 6 semanas (revisão de 2024)

A tabela mostra a ordem de grandeza descrita nos estudos, não a data de retirar a bota: o ortopedista define o seu prazo e libera o apoio e a volta às atividades.

Fratura do 5º metatarso precisa de cirurgia?

Na avulsão da base, as revisões descrevem a conduta sem cirurgia como a mais comum, porque o osso tem bom potencial de consolidação. Já na fratura de Jones e na de estresse, os estudos divergem: uma revisão de 2012 relata bons resultados da fratura de Jones com conduta funcional, sem cirurgia, enquanto outras revisões aconselham fixação precoce em atletas. Uma revisão sistemática com 237 pacientes (Foot, 2015) encontrou chance maior de não consolidação quando a fratura de Jones não foi operada, e o American Family Physician registra que a cirurgia deve ser considerada em pessoas ativas para reduzir esse risco, com evidência de qualidade limitada.

Isso não significa que toda fratura de Jones precise de cirurgia: o ortopedista pesa o afastamento dos fragmentos, a atividade física e a evolução nas imagens. A cirurgia também tem riscos: mesmo com boa técnica, podem ocorrer atraso de consolidação e nova fratura (J Am Acad Orthop Surg, 2022). A decisão é dele, na consulta.

Bota, sandália de solado rígido ou gesso: qual o papel de cada um

Enquanto o osso consolida, o pé fica protegido pela imobilização ou pelo calçado rígido que o ortopedista escolher. As opções citadas nas fontes:

Opção O que a fonte ou a ficha do produto informa Quando entra
Gesso curto Fixo, não removível. Foi o comparador no ensaio de 2021 Quando o ortopedista preferir
Bota sem partes metálicas (por exemplo, Standard Hidrolight e M1 Premium Mercur) As fichas descrevem estrutura sem metal, que permite o raio-X; a Hidrolight tem versão curta e longa, e a M1 é bilateral Quando o ortopedista indicar bota
Bota com talas de alumínio (por exemplo, Standard Mercur) A ficha descreve hastes laterais metálicas; não informa compatibilidade com raio-X Quando o ortopedista indicar bota, sabendo que há metal
Sandália de solado rígido (por exemplo, Augusta Reta Salvapé) A ficha descreve solado rígido em EVA, fecho regulável e uso no pós-operatório de cirurgias e fraturas do antepé; não cita o 5º metatarso, e o ortopedista decide se serve ao seu caso Só quando o ortopedista pedir sapato rígido

O ensaio de 2021 testou “sapato de solado rígido” em geral, não um modelo de sandália específico. A sandália da tabela é uma alternativa para quem recebeu essa orientação do médico, não uma troca por conta própria. Na fratura de Jones e na de estresse, o calçado rígido pode não bastar: não troque a imobilização que o médico escolheu.

Para comparar tamanhos, modelos curtos e longos e disponibilidade, a categoria de botas ortopédicas imobilizadoras reúne os modelos da loja, e o guia de uso, ajuste e tamanho da bota ortopédica explica como medir o pé e fechar as tiras.

Bota ortopédica imobilizadora Standard Hidrolight: a ficha descreve estrutura sem partes metálicas, compatível com raio-X.
Bota ortopédica imobilizadora Standard Hidrolight: a ficha descreve estrutura sem partes metálicas, compatível com raio-X.

Botas ortopédicas imobilizadoras, conforme a indicação do ortopedista

Raio-X de controle com a bota: o que muda quando ela não tem metal

Durante a recuperação, o ortopedista pode pedir novas imagens para ver como o osso está consolidando. Segundo as fichas da bota Standard Hidrolight e da M1 Premium Mercur, ambas têm estrutura sem partes metálicas e podem ser mantidas no pé durante o raio-X. Se a equipe do exame pedir para retirar a bota, siga a orientação dela. Fora disso, não retire a bota por conta própria, para conferir, tomar banho ou dormir, sem a orientação do ortopedista.

Bota ortopédica M1 Premium Mercur: a ficha descreve estrutura sem metal, solado curvo e uso nos dois pés.
Bota ortopédica M1 Premium Mercur: a ficha descreve estrutura sem metal, solado curvo e uso nos dois pés.

Quando voltar ao ortopedista antes da data marcada

Algumas situações, com bota ou gesso, pedem contato com o ortopedista sem esperar o retorno agendado:

  • dor que piora em vez de diminuir com o repouso e com o pé elevado;
  • inchaço que não cede com o pé elevado;
  • pele machucada, vermelha, com mau cheiro ou ponto de pressão sob a bota ou o gesso;
  • febre.
  • nova queda ou pancada no pé.

O American Family Physician cita, entre as complicações das fraturas do pé, a falha de consolidação, a consolidação em posição ruim, a infecção e a síndrome compartimental. Vá a um pronto atendimento, sem esperar consulta, se houver dedos dormentes, frios ou arroxeados, dor muito forte que não alivia com o pé elevado e pé tenso, dor ou inchaço na panturrilha, ou falta de ar.

Para o dia a dia com a bota, o artigo sobre cuidados diários com a bota ortopédica explica higiene, ajuste e pele, e quem sente calor ou suor pode ler como usar a bota no calor sem irritar a pele.

Dúvidas sobre a fratura do quinto metatarso

Fratura do quinto metatarso: quanto tempo de recuperação?

Depende da zona. Na avulsão da base, um ensaio de 2021 registrou retorno à atividade prévia em média em 37,2 dias com sapato rígido e 43,0 dias com gesso curto. Na fratura de Jones e na de estresse não há prazo único; o ortopedista define o seu.

Fratura do 5º metatarso precisa de cirurgia?

Na avulsão da base, a conduta sem cirurgia é a mais comum. Na fratura de Jones e na de estresse, a cirurgia é uma das opções que o ortopedista avalia, em especial em pessoas ativas. A decisão é dele.

O que é a fratura de Jones?

É a fratura na junção entre a base e o corpo do quinto metatarso (zona 2), com risco maior de demorar a consolidar ou de não consolidar.

O que é fratura por avulsão do 5º metatarso?

É a fratura da zona 1: um pequeno fragmento da ponta da base do osso se solta. Em geral consolida bem.

Fratura no pé: quanto tempo para sarar?

Varia com o osso. Para fraturas da haste dos metatarsos, e não para a de Jones ou a de estresse, uma revisão de 2024 cita bota ou sapato rígido por 3 a 6 semanas, mas o seu prazo depende da evolução. Só retome as atividades quando o ortopedista liberar.

Posso usar bota ou sandália rígida no lugar do gesso?

Não troque por conta própria; só se o ortopedista indicar. No ensaio de 2021, o sapato rígido não foi pior que o gesso em dor aos seis meses na avulsão da base, mas esse resultado não vale para todo tipo de fratura.

Sandálias de solado rígido, para quando o ortopedista pedir sapato…

Onde comprar bota ortopédica no Rio de Janeiro

Além da entrega, a Casa do Médico tem loja física na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Quem prefere provar o tamanho da bota e tirar dúvidas de ajuste pessoalmente encontra endereço e horário na página da loja da Barra da Tijuca. Leve a indicação do ortopedista: ela define se o modelo é curto ou longo e se a bota ou a sandália ortopédica imobilizadora é a indicada.

Autoria

Este conteúdo foi produzido pela equipe editorial da Casa do Médico com base em estudos publicados e nas fichas dos produtos, listados abaixo, e é informativo. Não há revisão por profissional de saúde específico; a sustentação é a pesquisa nessas fontes. Ele não substitui a consulta: o diagnóstico, o tipo de imobilização, o prazo e a decisão sobre cirurgia são do ortopedista.

Fontes consultadas

  • Hard-Soled Shoe Versus Short Leg Cast for a Fifth Metatarsal Base Avulsion Fracture: ensaio clínico randomizado multicêntrico, J Bone Joint Surg Am, 2021 (PubMed 33252586).
  • Common Foot Fractures: revisão, Am Fam Physician, 2024 (PubMed 38393796).
  • Fractures of the Base of the Fifth Metatarsal Bone: A Critical Analysis Review, JBJS Reviews (PubMed 34673663).
  • Acute fractures to the proximal fifth metatarsal bone: development of classification and treatment recommendations based on the current evidence: revisão, Injury, 2012 (PubMed 22465516).
  • Proximal Fifth Metatarsal Fractures: Anatomy, Classification, Treatment and Complications: revisão, Arch Trauma Res (PubMed 28144601).
  • Fifth Metatarsal Jones Fractures: Diagnosis and Treatment, J Am Acad Orthop Surg, 2022 (PubMed 34932521).
  • Jones fracture of the fifth metatarsal: is operative intervention justified? Revisão sistemática com metanálise, Foot, 2015 (PubMed 26481787).
  • Fichas técnicas das botas Standard Hidrolight, M1 Premium Mercur e Standard Mercur e da sandália Augusta Reta Salvapé, nas páginas dos produtos da loja.

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